09 agosto 2018

Resenha #304: Illuminae - Amie Kaufman & Jay Kristoff (Knopf Books For Young Readers)

Título: Illuminae
Título Original: ---
Autor: Amie Kaufman & Jay Kristoff
Série: The Illuminae Files #1
Páginas: 608
Ano: 2015
Editora: Knopf Books For Young Readers
Sinopse*: Esta manhã, Kady pensou que romper com Ezra era a coisa mais difícil que ela teria que fazer.
Esta tarde, o planeta dela foi invadido.
O ano é 2575, e duas megacorporações rivais estão em guerra sobre um planeta que é pouco mais que uma mancha coberta de gelo na borda do universo. Pena que ninguém pensou em avisar as pessoas que vivem nele. Com o fogo inimigo chovendo sobre eles, Kady e Ezra - que mal estão conversando entre si - são forçados a abrir caminho em uma das frotas de evacuação, com um navio de guerra inimigo em perseguição.
Mas os problemas deles estão apenas começando. Uma praga mortal estourou e está em mutação, com resultados terríveis; a IA da frota, que deveria protegê-los, pode na verdade ser sua inimiga; e ninguém no comando dirá o que realmente está acontecendo. Quando Kady entra em uma rede emaranhada de dados para descobrir a verdade, fica claro que apenas uma pessoa pode ajudá-la a esclarecer tudo: o ex-namorado com quem ela jurou nunca mais falar.
Contada através de um fascinante dossiê de documentos hackeados - incluindo e-mails, esquemas, arquivos militares, mensagens instantâneas, relatórios médicos, entrevistas e muito mais - Illuminae é o primeiro livro de uma trilogia de alta octanagem sobre vidas interrompidas, o preço da verdade e a coragem dos heróis do dia a dia.


Eu não sou misericordioso?*

Desde que li a sinopse de Illuminae, fiquei bastante interessada na história. Na época, eu havia acabado de ler As Crônicas Lunares e estava à procura de uma série intergalática para, pelo menos, tentar suprir o vazio deixado dentro de mim. O interesse na história só aumentou quando soube como ela era contada: através de registros, cartas, ofícios, transcritos de depoimentos, etc; como um dossiê.

Com a dica de que a experiência fica melhor ainda com o audiobook, lá fui eu me aventurar pela história do Jay Kristoff e Amie Kauffman. Quase dois meses depois e a orelha um pouco dolorida por causa do fone de ouvido, terminei Illuminae e só posso dizer: que história, senhores.

Diferente de outras histórias, em Illuminae você já pega o bonde andando. Logo no começo do livro, somos apresentados a o que seria esses Arquivos Illuminae e o propósito deles. Esse dossiê contém um compilado de arquivos que provam a participação de uma super corporação intergalática em um ataque a um planeta explorado por sua rival.

O ano é 2575. Em um belo dia normal, a corporação BeiTech ataca um planeta gelado e remoto em algum quadrante da galáxia chamado Kerenza IV, que estava sendo explorado pela sua concorrente, WUC. Kady Grant e Ezra Mason, ex-namorados (a partir daquela manhã) são alguns dos sobreviventes a esse ataque. Em resposta ao sinal de ajuda, a nave de batalha Alexander e as de pesquisa Hypatia e Copernicus vão ao resgate. Porém, BeiTech está disposta a não deixar nenhuma testemunha de seu ataque, então a nave de batalha Lincoln continua a perseguir as outras naves, até que não sobre um parafuso para contar a história.

Durante o ataque, um vírus, aparentemente inofensivo, foi liberado no planeta, sendo absorvido por alguns dos sobreviventes. Porém, ele sofre uma mutação, desencadeando uma doença que leva a pessoa à loucura e, eventualmente, à morte. E, como cereja do bolo, AIDAN - Artificial Intelligence Defense Analytics Network (Rede de Inteligência Artificial para Análise de Defesa*) - IA responsável pela defesa da nave Alexander - parece ter ficado doido das redes neurais e comete um ato que desencadeia toda uma sucessão de acontecimentos que vai determinar não só o futuro dos sobreviventes de Kerenza, mas também do universo.

Como falei, Illuminae não é um livro de forma narrativa e dividido em capítulos. A partir de todo os registros que o grupo Illuminae conseguiu juntar em um dossiê, vamos descobrindo mais sobre o ataque a Kerenza, os motivos e, principalmente, as consequências desse ataque não só para os sobreviventes, mas para o universo.

Os protagonistas são maravilhosos. Kady é uma gênia da informática e tecnologia (uma grande rival para Cress, se devo me atrevo a dizer). Astuta, de raciocínio rápido, determinada, um tanto impulsiva, Kady está atrás de justiça para o seu planeta e ela vai atrás, mesmo que seja por meios duvidosos. Apesar de aparentar que nada a abala, nos transcritos de seu diário eletrônico, vemos que ela também está assustada, com medo de ter perdido todas as pessoas importantes que já conheceu e se sentindo sozinha.

Ela é catalisadora.
Ela é o caos.
Eu posso ver porque ele a ama.*

Ezra é um bolinho de gente e irei protegê-lo! Assim como Kady, ele também quer justiça por Kerenza, mas indo por meios por dentro da lei. Diferente de muitos protagonistas YA, Ezra não tem medo de falar e demonstrar seus sentimentos, principalmente no que diz respeito a Kady. Sendo um romântico incurável, a maioria das cenas amorzinhos entre outros foi iniciada de sua parte. Ezra também possui um senso de justiça e moral muito bem norteado, além de ser bastante leal e aquele tipo de pessoa que você quer como amigo.

Você tem a mim. Até a última estrela da galáxia morrer, você tem a mim.*

Li em algumas reviews as pessoas reclamando do foco do romance entre os dois. Particularmente, eu achei bastante essencial para a história. A partir da interação e conversa entre os dois é que informações são passadas e a história vai se desenrolando. E é nesse sentimento que ambos encontram forças para continuar, contando um com outro.

Tudo o que ele se importa aqui na beira da eternidade é ela. Ele não quer morrer. Não porque ele está com medo. Simplesmente porque ele não pode suportar a idéia de deixá-la para trás.*

Porém, a pessoa que eu mais ansiava em conhecer na história era AIDAN. Em quase todas as reviews que li, ele era o grande destaque e, sem dúvida, é merecedor disso. Confesso que tenho muito medo de IAs com consciência (oi, Skynet, turu pom?) e com AIDAN aconteceu o mesmo. A partir do momento que elas tomam consciências, se tornam instáveis e bem adeptas do “sacrifício para o bem maior”, já que boa parte delas são programadas para ser responsável pelo bem estar do ser humano. Nesse caso, AIDAN é quem comanda os sistemas de defesa da nave Alexander. (Sim, incluindo armas, misséis, campo de força…) E foi justamente uma decisão pensando no bem maior, tomada por AIDAN, que a história toma um gás incrível. Enquanto lia esse livro, também estava lendo A Nuvem (Neal Shusterman) e foi interessante comparar as duas IAs, que são tão parecidas mas, ao mesmo tempo, diferentes.


Em certo momento, AIDAN e Kady juntam forças - no caso inteligência - e se tornam uma dupla genial. De início, há uma certa hostilidade da parte de Kady (e com razão), mas ela aceita ajudá-lo porque sabe que ele é a única esperança dos sobreviventes. É convivendo Kady que AIDAN vai descobrindo o que é ser realmente humano. Apesar de ter consciência, ele sabe que é somente uma IA programada. Aqui entramos no mesmo questionamento levantado nas HQs Wires and Nerve: o que faz de alguém realmente um humano? Mesmo antes dessa noção, percebemos uma certa cadência das falas de AIDAN, quase de forma poética.

Antes deste momento, nunca desejei ser algo diferente do que sou.
Nunca senti tão profundamente a falta de mãos com as quais tocar, a falta de armas com as quais segurar.
Por que eles me deram esse senso de eu? Por que me permitir o intelecto pelo qual medir essa inadequação completa? Eu prefiro ficar dormente do que ficar aqui à luz de um sol que nunca pode afastar o frio.*

Assim como Kady, Ezra e AIDAN, os outros personagens também são bem construídos e trabalhados. Acompanhamos suas decisões, incertezas, inseguranças e, acima de tudo, esperança. Como, por ex, Capitão David Torrance e suas decisões para salvar a maior quantidade possível de pessoas presentes na Alexander, Hypatia e Copernicus. Como a Capitã Interina Syra Boll ponderando se vale a pena desobedecer seus superiores. Jay e Amie escreveram esses personagens de forma impossível de não se apegar a todos. Mas né.. Como a gente sabe que rola umas batalhas intergaláticas, infelizmente alguns morrem e até agora não superei algumas mortes. (McNulty, você sempre estará em meu coração pulsante)

Até mais ou menos metade do livro, o dossiê vai mostrando tudo o que aconteceu após a Batalha de Kerenza (como o evento ficou conhecido), como vai a vida dos sobreviventes nas naves - focando em Kady e Ezra -, assim como algumas descobertas sobre o que a BeiTech. Mas, a partir do momento que AIDAN fica “louco”, a ação começa e não para mais. São cenas que vão te tirar o fôlego, não só pelos acontecimentos mas também pela diagramação maravilhosa do livro.

Melhor decisão da vida foi acompanhar com o audiobook e falo isso com tranquilidade. Além dos efeitos sonoros que aumentam a imersão na história, o mais importante para mim foi ouvir a voz de cada personagem. Com esse recurso, eu consegui me conectar profundamente com todos, inclusive AIDAN. É uma experiência completamente diferente você ler a fala de um personagem e ouvir essa fala. A emoção, raiva, incerteza, insegurança… tudo isso é bem nítido com todos. Houve algumas cenas que esse detalhe foi bastante crucial para a carga emocional que elas abrigavam. Além disso, as narrações têm sotaques diferentes, nos mostrando a diversidade entre os personagens.

Ele aperta os gatilhos. E como rosas em suas mãos, a morte floresce.*

Como falei, a ação começa mais ou menos na metade do livro e se estende até o final. Mas não pense que fica cansativa ou corrido; muito pelo contrário. São cenas viciantes, de tirar o fôlego e deixar o coração na mão. Quando acha que vai dar pra galera respirar um pouco aliviada, a treta volta com tudo. E é aí que os efeitos sonoros fazem toda diferença; eles fazem com que você se sinta lá no meio disso tudo.

O capítulo final pisou com dignidade. Além de nos apresentar uma personagem que vai dar muito trabalho no futuro, também contém informações do que podemos esperar nos próximos dossiês - Gemina e Obsidio.

Eu fico bastante de cara com a criatividade do Jay Kristoff e Amie Kaufman ao escrever uma história assim. Se já é difícil escrever uma história de forma narrativa, imagina uma que é composta por registros, emails, artigos, transcritos, imagens e afins… se eu já era fã do Jay por conta de Nevernight, virei bem mais agora. Um único detalhe que pode dificultar um pouco a leitura para alguns são os termos específicos de histórias espaciais, mas se você já é versado em Star Trek, Star Wars e afins, vai tirar de letra.

Illuminae tem quase 600 páginas, mas você nem sente passar. Além da história te envolver, temos essa diagramação maravilhosa. Não sei nesse volume, mas sei que em Gemina e (creio que) em Obsidio contêm ilustrações da Marie Lu.

Falando na autora de Legend, Illuminae contém vários easter-eggs envolvendo nomes de autores, como a própria Amie Kaufman. Temos também citados a Leigh Bardugo, Marie Lu, Meagan Spooner. Confesso que me senti bastante vingada ao ver o nome do George R. R. Martin em uma lista de causalidades.

Ao que parece a Novo Conceito comprou os direitos de publicação do livro. Pois é… vamos rezar para que eles não esqueçam no churrasco como aconteceu com Quando As Estrelas Caem e que a edição faça bastante jus à original.

Ler e ouvir Illuminae foi uma das melhores experiências que tive esse ano. Fechei o livro já louca para começar e ouvir Gemina. Super recomendo para quem gostou de A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil e As Crônicas Lunares.

PS: se você entende o básico de inglês, sugiro que dê uma olhada nos resumos que o Jay Kristoff faz de seus livros. Não tem um que você não acabe sorrindo.

* Traduções feitas por mim

10 comentários:

  1. Oi Lu, tudo bem?
    Que bom que você curtiu bastante! Eu não sou muito fã de histórias sci-fi/intergalácticas, mas estou pensando em dar uma chance às Crônicas Lunares...
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  2. Oiii Lu

    Illuminae é maravilhoso, não entendo como ainda não fiu publicada em portuguêes e estou fula da vida porque a editora que publica em espanhol anunciou que "talvez" não seguirá publicando os livros restantes da série (essa de largarem séries na metade já anda me dando alergia de certas editoras sabe?). Adoro o formato em que o livro está narrado, é muito original, novo pra mim, eos autores conduzem a história super bem, quero lerr tudo do Jay Kristoff aliás. Ele e Neal Shusterman foram as minhas duas descobertas do ano com certeza.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  3. Lu, que resenha maravilhosa. Nunca li uma história assim, mas os quotes que você selecionou me fizeram ficar bem motivada para conhecer esse livro!

    www.kailagarcia.com

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  4. Oi, Lu!

    Confesso que eu fico com certa preguiça desse livro, quando saiu não chamou muito a minha atenção, mas esse lance na forma como ele é escrito é interessante. Eu gosto de uma construção diferente, especialmente quando ela consegue segurar a nossa atenção.
    Fico feliz que a leitura tenha valido para você, quem sabe se ele aparecer baratinho por aí eu não dou uma chance...

    bjs
    Queria Estar Lendo

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  5. Oi Lu!!! Td bem?
    Fiquei bem curiosa com a sua resenha hein, e olha q nem curto tanto histórias sci-fi/espaciais. Muito interessante a organização do livro e fiquei com vontade de conhecer os personagens e romance entre eles, hahah
    Sabe que nunca ouvi um audiobook? Preciso ter essa experiência!
    Beijão
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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  6. Oi Lu!! Eu não conhecia o livro, mas eu gostei da proposta e o fato de vc ter conferido eu audiobook, algo que eu ainda quero experimentar! Tomara que a NC lance o livro logo por aqui!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  7. Oi Lu,

    Adoro histórias intergaláticas e como gostei da experiência com a Amy, tenho certeza que esse livro é para mim.
    Alem de ter o Jay que preciso conhecer sua escrita, pois só vejo elogios.
    Agora a minha preocupação foi você dizer Novo Conceito, pois levaram mais de 4 anos para colocar no papel o livro da Amy, então tenho até medo de saber quanto tempo vamos esperar.
    Bjs e uma boa semana!
    Diário dos Livros
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  8. Oi Lu! Faz tempo qu estou de olho nesse livro, nem sabia que a NC tinha os direitos. Eu acho que vou amar, parece ser uma história criativa e a forma como é contada, torna tudo ainda mais empolgante. Adorei saber sua opinião. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  9. Oi Lu!
    Eu to muito animado para ler. Nunca me animei não, confesso. Via as capas no insta e achava feia. Ainda acho KKK, mas você falou tanto, e eu gostei tanto da sinopse que DEUS, CADE A NC REVIVENDO E TRAZENDO ESSA TRILOGIA. QUERO DEMAIS. Fora que quero ler algo do Jay! TENHO QUE LER ESSE HOMI!

    Abraços
    David
    https://territoriogeeknerd.blogspot.com/

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  10. Oi, Lu
    Eu nunca li um livro nesse formato, fiquei até curiosa agora porque não tive experiências com audiobooks, deve ser bem diferente. Eu também tenho medo de IA's, principalmente depois de ter assistido TAU. Eu adoraria conhecer Kady e o Ezra, são o tipo de personagens que eu gosto de torcer para que tudo dê certo.
    Beijos
    http://www.suddenlythings.com/

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