11 outubro 2015

Quem tem boca vai a... #2: Nova Orleans

Um destino, vários livros
Cenário de séries como The Originals (Elijah e Klaus, me possuam!), filmes como A Princesa e o Sapo e livros como Entrevista com um Vampiro, Nova Orleans é uma cidade que chama atenção por suas atrações turísticas serem ligadas ao sobrenatural. Por esse motivo, ela será nosso destino literário de hoje.

Fundada em 1718 por franceses que se estabeleceram principalmente com plantações, New Orleans desde seu início foi relatada como uma cidade promissora da Louisiana e com divisões bem nítidas. Em 1755 houve uma grande migração, que se distinguiu por dois tipos de culturas, os Cajun, brancos, católicos, que migraram do Canadá devido a perseguição religiosa e os Créoles, provenientes das colônias francesas, em grande parte negros, que trouxeram não só os costumes de seu povo como a religião predominante, o Vodu e as crenças africanas.

A mistura fez um povo rico em folclore, diversificado e extremamente supersticioso, uma mistura perfeita para inúmeros relatos de personalidades loucas e sociopatas, com o bônus de vários fantasma e lugares malditos.

Foi cenário ou esteve presente com suas lendas em vários trabalhos da ficção, entre eles A Hora da Bruxa de Anne Rice, American Gods de Neil Gaiman, a série True Blood, The Originals e American Horror Story: Coven, no filme A Chave Mestra e em HQs da Marvel, todos tendo em comum o terror e sobrenatural.

New Orleans é o contraste perfeito daquilo que leva em seu povo, de um lado o catolicismo, a devoção, a sociedade que ostenta nomes e bens e de outro a paixão, a magia e a crença, um traço que se estende a culinária, música e ao que seu povo passa de geração em geração.

Ao invés de falar de alguns dos principais pontos turísticos, vou contar algumas das lendas mais famosas em Nova Orleans

O Palácio do Sultão
Na Dauphine Street você pode caminhar sem grandes pretensões, apenas admirando a arquitetura de várias casas ao redor, claro, se você não souber a história do que te espera no número 716, onde ergue-se uma casa de quatro andares. Inicialmente construída em 1836 por Jean Baptiste LaPrete, um fazendeiro local, para ser sua casa da cidade,que se viu forçado após a Guerra Civil a disponibilizar a mansão para aluguel, devido a completa falta de dinheiro.

O primeiro locatário seria o Príncipe Suleyman, que se dizia um sultão turco, abastado e cheio de glórias. Com um gosto acentuado por orgias que englobavam escravas, mulheres com deformidades e meninos, rapidamente mudou a decoração da casa, colocando pesadas cortinas nas janelas e lacrando todas as saídas, poupando apenas a entrada.

Certo dia um dos vizinhos percebeu que o lugar estava muito quieto, algo incomum para o estilo de vida do Sultão, foi quando notou que havia sangue escorrendo da porta de entrada e alarmado chamou a polícia. O que foi encontrado provavelmente iria habitar a lembrança de quem se viu obrigado a constatar uma das piores cenas de crime relatadas. Todos estavam decapitados, mulheres e crianças, o único que parecia ter sido poupado fora o chefe da orgia, a este havia sido reservado o triste fim de ter sido soterrado, sendo encontrado com apenas a mão esticada para fora da sujeira, pedindo ajuda. Obviamente,tal prazer havia sido negado.

Moradores próximos confirmam terem visto do Sultão várias vezes, relatam ouvir os gritos e o som de pedaços de corpos caindo no chão. A casa ganhou o título de assombrada e entrou para o grupo de casos sobrenaturais de New Orleans.

A Mansão LaLaurie
A Série American Horror Story trouxe em sua terceira temporada uma personagem que poderia se chamar "Esposa do Diabo". Sua história, agora muito conhecida, chocou e manchou a história de forma drástica. Delphine LaLaurie foi uma socialite e rica dama, tendo se casado em 1825 com o Dr. Luís LaLaurie, seu terceiro casamento, que viria a comprar em 1832 a Mansão oficial da família, na 1140 Royal Street.

Bailes e eventos para a nata da sociedade eram comuns, com uma lista de convidados seleta, o casal LaLaurie se tornaram um dos principais anfitriões de New Orleans, bem distante da macabra realidade que viria a ser descoberta.

Apesar da fachada de beleza e carisma, alguns boatos eram ouvidos constantemente, como a grande quantidade de escravos que entravam na Mansão e nunca mais eram vistos. Em 10 de abril de 1834 iniciou-se um grande incêndio e os bombeiros que invadiram o local se depararam com o horror. No sótão havia dezenas de escravos amarrados, mutilados, torturados e assassinados por Madame LaLaurie. Vítimas de experimentos, relatos contam de um escravo com a boca costurada, morto por inanição. Membros foram espalhados por todos os lugares, que eram implantados cirurgicamente nos corpos dos prisioneiros e alguns ainda vivos imploravam pela morte.

Os LaLaurie fugiram e nunca foram julgados pelos seus crimes, mas até hoje a Mansão permanece e pelos séculos histórias de fantasmas são contadas sobre a mansão. Reformas recentes mostraram ossadas que datam da época, enterradas abaixo do piso de madeira, indicando que os corpos foram despejados no local.

A Rainha do Vodu
Marie Laveau tem sido citada como uma santa, a intervenção de Satanás na Terra ou apenas uma história muito criativa sobre uma mulher que existiu, em qualquer uma das alternativas pouco se sabe sobre Marie, a não ser que se casou um negro livre chamado Jacques Paris em 1819.

A lenda conta que Marie foi uma grande praticante de Vodu e foi responsável pela cura de vários casos impossíveis na época, seus clientes em grande parte eram ricos fazendeiros e proprietários e ela usufruiu de grande importância, um fato que perdura até hoje, sendo seu túmulo um dos mais visitados.

Atualmente seu nome ganhou fama com participações em livros, séries, HQs e nem sempre ocupa o lugar de vilã, já que a lenda apenas aponta sua função de curandeira. Após o Furacão Katrina várias pessoas contam ter visto Marie Leveau "intervindo" para assegurar a saúde das vítimas.

Candyman
Assim como em Blood Mary, a lenda do Candyman precisa da repetição para que os poderes sobrenaturais se apresentem. A regra manda que você repita o nome cinco vezes na frente do espelho e o terrível homem irá aparecer e provavelmente será a última coisa que presenciará em vida.

A lenda tem sua origem provavelmente num caso real, do escravo Daniel Robitaille que vivia numa fazenda em New Orleans, mas mantinha o amor pela arte e era um pintor talentoso. O fazendeiro interessado pelos dotes do escravo chamou-o para pintar o retrato de sua filha. A tragédia começa do encontro, Daniel se viu perdidamente apaixonado pela filha do fazendeiro e assim começa o fim.

Quando tudo foi descoberto começou a busca pelo escravo, que numa tentativa de fuga correu para a mata e foi encontrado caindo de exaustão alguns quilômetros depois. O castigo foi ter a mão direita decepada e após ser banhado em mel encontrou seu fim numa colmeia. Antes de morrer prometeu voltar e se vingar para todo sempre daqueles que lhe causaram tal dor.

Quase todas as histórias apontam torturas e depravações muito comuns para o período, onde a escravatura estava em seu auge. Cada lenda pode ser aplicada de várias formas para os abusos reais sofrido, ao escravo quase sempre era infligido ao mal e o "senhor" branco facilmente saia impune, a justiça vinha do além, que levava em si a justiça e vingança. Se a ficção imita a realidade, podemos apenas torcer para que nesses casos os fatos tenham sido de menor crueldade ou que apenas os mortos encontrem sua paz, onde quer que habitem.

Julie
Uma das histórias mais famosas do French Quarter é de Julie, uma jovem de origem Creole (mistura entre americanos, franceses e africanos), que se apaixona por um homem francês. Os fortes preconceitos raciais da época não permitiam o casamento entre eles. Para ter uma prova desse amor, e provar que ela poderia enfrentar o preconceito caso se unissem, ele pediu a ela que passasse uma noite nua no telhado da casa onde ela morava numa noite de inverno.

O homem não esperava que ela aceitasse a oferta mas, horas mais tarde naquela mesma noite chuvosa, ele a encontrou morta no telhado congelada pelo frio. E assim, desde 1840, nas noites de frio e chuva de dezembro, as pessoas acreditam ver o fantasma de Julie no telhado da sua casa a espera do seu amado.

Mulheres do Caixão
Por séculos as pessoas vão a Nova Orleans em busca de um recomeço, esperando achar fortunas, aventuras... Até de amor. Jovens mulheres da sociedade francesa imigraram pra lá com a promessa de casar com nobres cavaleiros de Nova Orleans, as lendárias garotas do caixão, elas mau sabiam que os homens que as aguardavam estavam longe de ser apropriados e nem um pouco... gentis.
Cada menina trouxe um "caixão" em forma de baú contendo seus pertences . Estas jovem ironicamente se tornaram conhecidas pelos moradores como "As garotas dos Caixões."

Infelizmente, algumas meninas foram violadas e forçadas a se prostituírem, e os navios foram enviados para levá-las de volta para a França. A lenda diz que o conteúdo de alguns dos "caixões" deixados para trás foram trancados no terceiro andar de irmãs do convento das Ursulinas e as janelas e portas foram lacradas. Mais tarde, quando eles foram abertos, eles estavam vazios e as pessoas começaram a acreditar que o "caixão" das meninas tinham contrabandeado vampiros para Nova Orleans, em vez de roupas.

O Selado terceiro andar do sótão do convento tem persianas pesadas ​​que estão sempre fechadas, mas a história diz que eles estão abertos à noite para deixar os vampiros sair e "dançar" entre os vivos! O Convento (esqueci de mencionar que as mulheres viviam e foram enviadas pelo Convento das Irmãs Ursulinas?) insiste que nada é armazenado no sótão, mas a lenda local afirma que os pregos e parafusos de vedação das janelas foram abençoados pelo Papa

As meninas dos caixões foram feitas para serem noivas, e é por isso que no dia do festival as mulheres se vestem de noivas.

Livros em Nova Orleans

  
 
 
  

Espero que vocês tenham gostado do destino literário de hoje. Morro de vontade de conhecer Nova Orleans desde que começou The Originals e assisti A Princesa e o Sapo.

9 comentários:

  1. Oi Luiza!
    Já li alguns livros que se passavam em Nova Orleans, pelo menos uma parte, e gostei muito de conhecer mais sobre o lugar. Deve ser cheio de pontos lindos! Ainda não li nem assisti a nada que você citou, fiquei curiosa. :)
    beijos ♥
    nuclear--story.blogspot.com

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  2. Olá, Luiza.
    Adorei a postagem. Mas tira os olhos que o Klaus é meu hehe. Não li nenhum livro ainda que se passe na cidade, pelo menos que eu me lembre no momento, só a série mesmo. Adorei conhecer as lendas do local.

    Blog Prefácio

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  3. Olá Luiza!!!

    Amei sua coluna sobre Destino literário e não me lembro agora de ter lido algum livro cuja história se passe em Nova Orleans, mas pela sua lista já vou me aventurar em viajar através de um deles e conhecer Nova Orleans.
    Depois te conto como foi .

    Beijos
    Saleta de Leitura

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  4. Oiee.

    Meio que inconsciente já tinha vontade de conhecer esse lugar, principalmente pelos seriados e livros que se passam por lá. Deve ser mesmo lindo

    Beijos
    Amor Literário

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  5. Oi Lu!
    Gostaria muito de conhecer New Orleans. Tem todo um charme sombrio que é impossivel resistir. Algo bem cultural sabe. Adoro TO justamente porque as cameras filmam o cenário com uma riqueza <3 Tudo fica ainda mais lindo a noite.

    Abraços
    David Andrade
    http://www.olimpicoliterario.com/

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  6. Oi Luiza,
    Não conhecia essas lendas sobre Nova Orleans e achei bem interessante.
    Tenho mta vontade de conhecer a cidade por causa do cenário cultural, especialmente pela música.
    Abraço,
    Alê
    www.alemdacontracapa.blogspot.com

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  7. Oi Luiza!
    Não conhecia essas lendas da cidade, que legal! Agora fiquei ainda mais curiosa para conhecer Nova Orleans.

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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  8. Luiza, eu AMEI a postagem! Super diferente, terminei e pensei "caraca eu não sabia nada de Nova Orleans"! Nunca parei par pensar nos cenários das história, achei mega interessante!

    Parabéns, Mi

    O que tem na nossa estante

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  9. Oie!
    Adorei esse seu post!!! É sempre bom conhecer novas cidades!
    Conheci a história das Mulheres do Caixão em The Originals, e que nossa, quero o Elijah pra me proteger, e o Klaus para conversar comigo com aquele sotaque!!!!

    Beijos
    www.notavelleitura.blogspot.com

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